Como Está a evoluir o e-commerce em Portugal em 2020

Como está a evoluir o e-commerce em Portugal em 2020

Atualmente, é possível adquirir qualquer produto ou serviço online a qualquer hora e em qualquer lugar, usando apenas um computador, um tablet ou um simples smartphone. Desde o início de década, muito se tem falado sobre E-Commerce em Portugal, fruto da criação de novos players no setor e, sobretudo, devido ao hábito de fazer compras online que cresceu significativamente em Portugal. Porém, Portugal está ainda longe da média da União Europeia (UE) em termos de utilização por parte dos consumidores do comércio online. O que falta ao ecommerce em Portugal?

 

Breve introdução LISPOLIS

O desenvolvimento do e-commerce em Portugal tem sido exponencial, sendo que nos últimos anos assistimos a um crescimento massivo. O LISPOLIS tem assistido de perto à criação de novos negócios digitais e ao desenvolvimento de plataformas de comércio eletrónico de grandes empresas, nomeadamente na área do retalho, através do programa de aceleração E-Commerce Experience, que já conta com duas edições. Esta é uma iniciativa que reúne os maiores especialistas da área para sessões semanais durante cinco a seis meses, e que tem como objetivo criar um ambiente de partilha entre empresas de diferentes dimensões, desde startups a multinacionais, para que possam melhorar a sua presença online e vendas por e-commerce.

Em 2020, e face ao contexto em que vivemos atualmente, têm surgido novas oportunidades para o setor do E-Commerce, como André Teixeira, Marketing Manager do Digitalks, explora no seu artigo “Como está a evoluir o e-commerce em Portugal em 2020“, do qual foi retirado o excerto abaixo.

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Por André Teixeira

Os tempos imprevisíveis de entrega, as constantes ruturas de stock e a insatisfação dos consumidores portugueses levaram a que muitas empresas nacionais considerassem o investimento online como acessório e que o seu principal negócio se mantivesse no espaço físico.

Se por um lado a falta de investimento no e-commerce reduz a qualidade da experiência dos consumidores, a excelente infraestrutura de espaços comerciais que estão abertos todos os dias da semana e em horário alargado funciona como se uma concorrência direta dos negócios online
se tratasse. Para muitos portugueses, nomeadamente, para a população idosa é mais conveniente dirigirem-se a um centro comercial do que realizarem uma compra online e aguardarem a sua receção.

A penetração do e-commerce é uma das métricas mais procuradas para compreender o impacto que o comércio eletrónico tem nos negócios. Na verdade, a discrepância entre a realidade portuguesa e a europeia continua até aos dias de hoje. Segundo a Comissão Europeia, 44,8% dos portugueses fazem compras online, número que fica muito aquém da média da UE (72%).

Fig. 1 – A proporção média de consumidores europeus que compraram online (%).
Fonte: Relatório “Consumers’ attitudes towards cross-border trade and consumer protection 2018” da Comissão Europeia.

 

Entre os países da UE, os níveis mais altos desse indicador são encontrados na Suécia (83,9%), Dinamarca (82,0%) e Holanda (80,5%). Além disso, os níveis também são altos na Noruega (81,8%) e no Reino Unido (88,5%). Os níveis mais baixos são encontrados em Portugal (44,8%),
Chipre (46,4%) e Roménia (59,4%).

Segundo o relatório anual da E-Commerce Europe, 49% da população portuguesa que utiliza a Internet efetuou em 2018 algum tipo de compra online, enquanto que 88% dos suíços compraram online.

Claramente que somos, a nível europeu, um dos mercados com menor volume de compras online.

 

O grau de excesso de oferta, de obsolescência e de penetração do comércio online é ainda muito reduzido em Portugal.

Na verdade, apenas 33% dos portugueses compram online através de um dispositivo móvel, enquanto que 43% utilizaram o computador.

 


Fig. 2 – Utilizadores que relatam realizar cada atividade de E-Commerce (%).
Fonte: Estudo “Global Digital Report 2020” da We Are Social e da Hootsuite.

 

O Barómetro E-shopper do DPDgroup de 2019 revela que o e-commerce em Portugal representa apenas 9,8% do total de compras do e-shoppers regulares, abaixo da média europeia de 13,5%.

 

 

Importa saber os seguintes constrangimentos ao desenvolvimento e evolução do e-commerce em Portugal:

  • Infraestrutura de espaços comerciais. Segundo a CBRE, a oferta comercial em Portugal está numa fase madura e a densidade de centros comerciais é superior à média europeia (0,27m2 por habitante em Portugal vs. 0,19m2 na Europa), o que aliado a horários alargados todos os dias da semana faz com que as pessoas se sintam confortáveis em comprar no espaço físico. De acordo com o mais recente Estudo de Natal da Deloitte, as famílias portuguesas continuam a eleger as lojas físicas como o sítio preferencial para adquirirem as suas ofertas, apontando como principais razões para esta escolha as políticas de devolução, o serviço personalizado de atendimento e uma maior confiança no método de pagamento utilizado.

 

  • Capacidade de Inovação. A falta de escala e a necessidade de alocar recursos a outras atividades limitam a capacidade de investimento em inovação.

 

  • Literacia Digital e Financeira. O consumidor nacional apresenta elevada iliteracia digital e financeira, o que representa um obstáculo ao desenvolvimento do e-commerce e ao aumento da utilização da internet.

 

  • Consumo de dados. O elevado custo do consumo de dados móveis quando comparado com outros mercados europeus ou mesmo com outras economias emergentes, como é o exemplo do Brasil.

 

  • Pagamentos online. Para muitos portugueses, comprar online não é seguro. Aliás, um dos maiores entraves no pagamento online em Portugal é a desconfiança. Ainda são poucos os e-shoppers que acreditam que as lojas online protegem os seus dados e que não os partilham sem a sua devida autorização. A par disso, verifica-se que existe um atraso significativo na disponibilização e adoção em Portugal dos meios de pagamentos mais utilizados em transações digitais a nível internacional. Apesar de dispormos de alternativas digitais (como o MB Way, MB Net e cartões contactless), só em 2019 chegaram a Portugal serviços como o Amazon Pay, Apple Pay, o Google Pay e o Samsung Pay.

 

  • A Captação e a Retenção de Talento. Muitas empresas portuguesas não encontram talento em quantidade e qualidade suficientes no mercado de trabalho nacional para desempenhar trabalhos em funções de engenharia, tecnologia e informática. Segundo a Comissão Europeia, nos últimos 5 anos o desfasamento entre o talento disponível e as necessidades das empresas aumentou 14%, o que em Portugal equivale a uma procura por 15.000 postos de trabalho sem oferta correspondente.

 

  • Disponibilizar um website otimizado continua a não ser uma realidade na maior parte das organizações. Muitos websites não estão otimizados para smartphones ou preparados para aceitar pagamentos através de um dispositivo móvel. Isto não é um problema nacional, mas sim global, pois há milhões de pequenas empresas em todo o mundo que admitem que a sua prioridade máxima é manter os seus negócios. O facto de os websites não serem user-friendly dificulta a pesquisa pelo objeto pretendido, características, imagens ou falta de atualização de stocks, a não adoção de ferramentas de interação ao vivo para ajudar os consumidores (ex: LiveChat), a falta de contactos (muitas delas têm apenas o formulário de contacto), entre outros aspetos.

 

  • Muitas pessoas não compram online, pois não estão dispostas a pagar portes de envio. Existem portes de envio em praticamente todas as lojas online do mundo. Já em 2016, a Comissão Europeia referia que um dos maiores obstáculos para o crescimento do comércio eletrónico é precisamente o elevado custo das entregas transfronteiriças.

 

  • Os portugueses não estão dispostos a esperar pelos artigos. É preciso ter consciência de que se comprar a um grande retalhista nacional, a probabilidade de receber a encomenda num prazo máximo de 24 horas é de facto muito elevada.

 

  • Muitos portugueses compram fora de Portugal, porque não há diversidade de oferta suficiente no país, além de ser geralmente mais barato comprar no estrangeiro. Portugal é o segundo maior país da Europa em termos de volume de compras feitas em sites estrangeiros. Há um problema na oferta, de não haver sites suficientes. De acordo com o estudo da “Economia Digital 2018”, China, Espanha, Reino Unido e os Estados Unidos da América reúnem as preferências dos e-shoppers nacionais. Curiosamente, o site AliExpress é atualmente a loja online onde os portugueses mais compram essencialmente produtos baratos.

 

 

Leia o artigo completo no Portal Digitalks Portugal

 

Sobre André Teixeira

Com uma vasta experiência em Marketing e Relações Públicas, André Teixeira já passou por várias empresas, nomeadamente, pelo Grupo Iberomoldes, CTT e Janz. Com uma licenciatura em Relações Públicas e Comunicação Empresarial e uma pós-graduação em Marketing e Comunicação Publicitária pela Escola Superior de Comunicação Social, atualmente é o gestor comercial do Digitalks em Portugal.